Você já percebeu como somos capazes de atravessar cidades, pegar estradas ou até aviões em busca de um lugar que nos faça sentir bem?
Procuramos hotéis encantadores, restaurantes e cafés com personalidade, lugares que nos façam permanecer mais tempo do que o necessário.
“No fundo, raramente nos lembramos apenas do que vimos, o que permanece mesmo é a sensação”
Quem me conhece há mais tempo sabe que o tema experiência sempre esteve presente nas minhas conversas. Eu adoro acompanhar esse movimento e observar os espaços não apenas pela estética, mas pela forma como eles nos fazem sentir.
Mas existe uma reflexão que sempre me acompanha:
Por que reconhecemos tão facilmente os espaços que nos fazem bem quando estamos viajando, passeando ou vivendo uma experiência especial, mas nem sempre percebemos a influência que a nossa própria casa exerce sobre nós?
Vivemos uma época em que ambientes são pensados para serem fotografados, cenários para serem compartilhados, esquecendo de construir espaços que sustentem emocionalmente a rotina.
E é justamente aí que mora a minha reflexão.
A casa não deveria ser apenas o lugar para onde voltamos depois das experiências, ela deveria contar a nossa história, refletir nossos valores, abrigar nossas memórias e nos ajudar a viver de forma mais coerente com aquilo que buscamos.
Afinal, a verdadeira conexão não acontece apenas nas viagens, nos restaurantes ou nos lugares encantadores que visitamos.
Ela deve existir quando chegamos em casa, tiramos os sapatos, largamos o celular e simplesmente somos nós mesmos.
Talvez o maior luxo dos nossos tempos não seja viver experiências extraordinárias de vez em quando.
Talvez seja construir uma vida em que essas sensações também façam parte da rotina.
A experiência não deveria ser uma fuga.
Ela deveria ser uma continuação da vida que escolhemos construir.
Luana Serafim
Designer de interiores Integrativa
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