À primeira vista, uma rocha parece algo que não muda. Ela é sólida, pesada, resistente.
Mas, dependendo das condições, algumas rochas passam por mudanças profundas na sua estrutura. E dessa matéria tão densa podem surgir cristais capazes de refletir e deixar a luz passar.
Eu acho isso muito bonito porque, de certa forma, também acontece com a gente. Tem fases em que aquilo que antes fazia sentido já não combina mais com quem estamos nos tornando.
Mudam as prioridades, a forma como queremos trabalhar, descansar, cuidar da família e viver a nossa casa.
Quando eu uso cristais em uma consultoria, penso no momento que aquela pessoa está vivendo e no que ela quer fortalecer na própria vida.
Pode ser coragem para começar uma nova fase, mais leveza diante de uma mudança, prosperidade, amor próprio, harmonia.
E de alguma forma, acredito que a casa também participa desse processo.
Chega um momento em que percebemos que alguns espaços já não traduzem tão bem a vida que estamos vivendo, ou aquela que queremos começar a viver.
Às vezes, essa transformação acontece em uma reforma. Em outras, começa de um jeito muito simples: uma nova cor, um tecido diferente, um aroma, um objeto que agora tem significado.
Não precisamos transformar tudo cada vez que a vida muda, mas é muito bom quando olhamos ao redor e reconhecemos ali um pouco de quem somos hoje.
Para mim, projetar uma casa também passa por isso: perceber o que mudou, entender o que manter e criar espaço para aquilo que será vivido daqui para frente.
E as rochas nos lembram que transformação não significa esquecer aquilo que fomos, significa permitir que uma nova forma apareça.
Luana Serafim
Designer de interiores integrativa