Assisti ao filme A Vida Antes de Hamlet, que está em cartaz nos cinemas.
Uma obra intensa, que aborda o luto de uma mãe, a ancestralidade, o amor, os vínculos de sangue e a tentativa humana de ressignificar uma perda que nunca deixa de existir.
É impossível assistir e não perceber o quanto a história fala sobre pertencimento.
E talvez não seja coincidência que essa história encontre eco num movimento que estamos vivendo agora.
Muitas pessoas têm buscado exatamente isso também nos seus lares: ambientes que tragam sensação de enraizamento, objetos que carreguem história, memórias afetivas que conectem com quem veio antes.
Mas por que essa busca está tão intensa agora?
Será que estamos com dificuldade de criar memórias no presente?
Será que, em meio ao excesso de estímulos e à vida acelerada, tentamos recuperar no passado algo que não estamos conseguindo viver no agora?
Veja bem, eu acredito muito que memória e ancestralidade são forças, mas casa não é apenas sobre preservar o que foi. É também sobre permitir que novas histórias aconteçam.
Porque não é o objeto que vira memória.
É o que acontece ao redor dele: os silêncios compartilhados, os risos na cozinha, as conversas na sala, os abraços distraídos, os dias comuns que, sem perceber, se tornam preciosos.
O verdadeiro enraizamento não está apenas em olhar para trás, mas em desacelerar o suficiente para estar presente.
Viver a casa, habitar os momentos, criar memória enquanto a vida acontece.
Depois dessa reflexão acredito que fica uma pergunta:
Como estamos vivendo hoje aquilo que um dia alguém vai querer lembrar?
Luana Serafim
Designer de interiores integrativa